domingo, 21 de fevereiro de 2016

"A Metamorfose", de Franz Kafka


Identificação do Livro

Autor: Franz Kafka
Título Original: Die Verwandlung
Edições: Leya
Nº de Págs.: 96
Coleção: Coleção BIS - Livros de Bolso
Ano de Edição: 2013
Classificação: Romance

Sinopse: «Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua cama, metamorfoseado num monstruoso insecto.» É assim que começa «A Metamorfose», uma das mais emblemáticas obras de Franz Kafka. Nesta narrativa, o autor recorre à terrível metamorfose física e ao desespero da personagem para abordar os temas transversais a toda a sua obra: o comportamento humano, a impotência perante o absurdo e a frustração provocada por uma sociedade opressora e burocrática.



Opinião Pessoal

Das muitas interpretações que se pode tirar deste livro,
o que tem mais significado para mim é o facto de Gregor ser o sustento e o pilar da família, a responsabilidade caía toda sobre ele: o filho mais velho. Os pais não trabalhavam porque, aparentemente, tinham uma certa limitação devido à sua saúde, e estariam já reformados; enquanto que a irmã mais nova não trabalhava por ainda não ter idade, mas ajudava nas lidas domésticas e ocupava o seu tempo livre com aulas de violino. No entanto, a partir do momento que se dá a metamorfose, vê-se a irmã mais nova tomar as rédeas da família e os pais a procurarem trabalhos para poderem trazer comida para casa... Ou seja, de uma situação passiva, os membros daquela família passaram para uma situação ativa, dinâmica, em prol da sociedade.

Isto acontece em muitas famílias, onde alguém tem o peso total da responsabilidade sobre os ombros. Isso não é saudável e provoca conflitos a curto ou médio prazo.
Obviamente que há problemas de saúde que impossibilitam a pessoa de trabalhar, mas fora esses casos, todos os membros da família devem contribuir para o sustento da mesma, seja em trabalhos a tempo parcial ou nas ocupações das lidas domésticas (a economia doméstica continua a ser uma boa escola).


Particularmente, gostei do livro, foi menos cansativo que «O Processo»,  contendo também fortes críticas sociais, tão comum nas obras de Kafka.
Aconselho a sua leitura =)



PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰ - Bom



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✦ ✧ ✩ ✫ ✬ ✭ ✮ ✯ ✰


domingo, 17 de janeiro de 2016

"O Amante Japonês", de Isabel Allende


Identificação do Livro

Autor: Isabel Allende
Título Original: El Amante Japonés
Edições: Porto Editora
Nº de Págs.: 336
Ano de Edição: 2015
Classificação: Romance

Sinopse: Em 1939, quando a Polónia capitula sob o jugo dos nazis, os pais da jovem Alma Belasco enviam-na para casa dos tios, uma opulenta mansão em São Francisco. Aí, Alma conhece Ichimei Fukuda, o filho do jardineiro japonês da casa. Entre os dois brota um romance ingénuo, mas os jovens amantes são forçados a separar-se quando, na sequência do ataque a Pearl Harbor, Ichimei e a família - como milhares de outros nipo-americanos - são declarados inimigos e enviados para campos de internamento. Alma e Ichimei voltarão a encontrar-se ao longo dos anos, mas o seu amor permanece condenado aos olhos do mundo. 
Décadas mais tarde, Alma prepara-se para se despedir de uma vida emocionante. Instala-se na Lark House, um excêntrico lar de idosos, onde conhece Irina Bazili, uma jovem funcionária com um passado igualmente turbulento. Irina torna-se amiga do neto de Alma, Seth, e juntos irão descobrir a verdade sobre uma paixão extraordinária que perdurou por quase setenta anos. 
Em O amante japonês, Isabel Allende regressa ao estilo que tanto entusiasma o seu público, relatando de forma soberba uma história de amor que sobrevive às rugas do tempo e atravessa gerações e continentes.



Opinião Pessoal

É o primeiro livro que leio desta autora, foi-me oferecido como prenda de Natal. No entanto, eu já tinha ouvido falar muito dela, é uma escritora conceituada, com o seu lugar bem marcado, muito apreciada pelo público. Mas, como é autora de best-sellers, hesitei. Não sei porquê, comecei a ganhar uma certa aversão a autores best-sellers, dá-me ideia que escrevem por escrever, nem têm tempo de sentir o que escrevem para cumprirem os prazos da editora, daí tornar-se uma narrativa vazia de
conteúdo. Só que eu até gostei do livro, primeiro, porque fala dos tempos da Segunda Guerra Mundial nos Estados Unidos da América, uma perspetiva que enriquece sempre; segundo, porque a personagem principal é riquíssima nas suas vivências, e por último, porque mostra um modelo de lar para a terceira idade fantástico.

Ora, com respeito à Guerra propriamente dita, fiquei a saber que, quando o Japão se envolveu em confrontos com os EUA, todos os japoneses que viviam nos EUA foram constituídos suspeitos de traição, e levados para campos de concentração, em modo semelhante ao que se passou na Europa, mesmo aqueles japoneses que tinham dupla nacionalidade e os seus filhos que eram norte-americanos de gema, apesar da fisionomia oriental. É um facto que me choca! Os campos de concentração são lugares terríveis, onde não há liberdade, dignidade nem tempo. Acho que foi uma medida desmesurada e desproporcional. Só mostra o quão racistas e xenófebos o povo norte americano por ser, que não é capaz de lidar com as diferenças étnicas, originando crises de revolta civil, como aconteceu nos anos 50/60 com o povo negro.

Em relação à personagem principal, Alma Belasco, é uma anciã cheia de experiências e sentimentos, sobretudo porque viveu nos tempos da Guerra e só isso muda uma pessoa. Tal como todos os baús, guarda segredos. Se bem que na sinopse da capa o enredo é desmistificado (a meu ver, falha da editora), mas o conteúdo do livro consegue ainda surpreender o leitor em alguns momentos.

Falta-me então referir o tal modelo de lar para a terceira idade que achei maravilhoso e que deveria ser implementado aqui no país, de certeza que teria sucesso. Conhecer e respeitar o outro são as chaves fundamentais para que a estadia dos utentes seja benéfica, para além de uma boa equipa de auxiliares (pessoas competentes, humildes, e respeitadoras do espaço próprio de cada utente). A velhice é uma fase da vida que é estudada e respeitada - isto é lindo!


PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰ - Bom





Desafio




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(◕‿◕✿)



domingo, 18 de outubro de 2015

Quotes "Detenham essa Mulher"















"Detenham essa Mulher", de David Goodis

Identificação do Livro


Autor: David Goodis
Título Original: "Behold this woman"
Edições: Círculo de Leitores
Nº. de págs.: 240
Ano de edição: 1988
Classificação: Ficção

Sinopse: Debaixo de um aspeto inocente e alegre, escondia-se um verdadeiro demónio. Clara era uma mulher inteligente, ambiciosa, com um passado nebuloso que não a impedia de exigir cada vez mais: o crime, por exemplo...




Opinião Pessoal

Este livro pertence ao tipo literário "noir fiction", onde o protagonista tem qualidades auto-destrutivas e pode ser uma vítima, um suspeito ou um criminoso. Esse protagonista lida com questões legais e políticas, está a par dos seus meandros, não sendo a justiça e a política menos corruptas que o protagonista; assim como é vitimizado ou faz-se de vítima ou vitimiza diariamente outras pessoas.

No nosso livro, a protagonista é a Clara, uma femme fatale que arruína a vida dos seus amantes e magnetiza todas as pessoas ao seu redor. É má de natureza. É uma pessoa de sangue-frio, calculista, esteticamente atraente (apesar de ser gorda), completamente materialista, vaidosa, narcisista, sem escrúpulos para atingir os seus objetivos, mas um pouco supersticiosa.
Clara entra numa família fragilizada e, ao longo de três anos, vai conseguindo "sugar" toda a energia positiva daquela casa e moldando-os ao seu gosto. A presença negativa desta mulher na vida de qualquer pessoa produz efeitos catastróficos.

Sim, na realidade, há pessoas com esse génio do mal. Daí existirem os grandes problemas nas famílias, nas empresas, na sociedade em geral. Há uma série de "ovelhas negras", "sementes podres", que teimam em infestar e contaminar todo o mundo...

É muito difícil eliminar o Mal. Mas o Bem consegue.
E neste livro vê-se essa luta. 

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Uma outra questão tratada aqui no livro é o Amor.
O amor entre um pai e uma filha.
O amor de um marido para com a mulher falecida.
O amor entre dois corações jovens.

Sendo o amor a "arma" para resolver todo o mal.

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Um pequeno apontamento:
Os homens, quando amam realmente uma mulher, ficam perdidos/doidos quando essa mesma mulher os magoa/ofende/trai ou fica chateada. Embora não admitam todos, a verdade é que dependem dessa mulher, desse amor, para viverem bem. 


PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom



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domingo, 7 de junho de 2015

"Uma Desolação", de Yasmina Reza

Identificação do Livro


Autor: Yasmina Reza
Título Original: "Une désolation"
Edições: ASA
Nº de Págs.: 96
Colecção: Pequenos Prazeres
Ano de Edição: 2001
Classificação:


Sinopse: Um pai, no fim da sua vida, dirige-se ao filho para expressar-lhe toda a sua "desolação". Esse monólogo exprime o seu rancor contra todos - familiares, amigos, pessoas com quem se cruza na rua - mas muito particularmente contra o filho. Um filho que se converteu a uma época de conformismo brando, na qual imperam as aparências e a superficialidade. Um filho que escolheu ser um "adaptado" e cuja única ambição é ser feliz. Feliz. Uma palavra "asquerosa", inconveniente: "Teria preferido um filho criminoso ou terrorista do que um militante da felicidade".
Obra tonificante, construída com a energia do desespero. «Uma Desolação» é como que uma poderosa bofetada na cara de uma época - a nossa - que coloca os bons sentimentos à frente dos grandes carácteres. Um romance cáustico que, como escreveu a revista francesa Lire: "repousa sobre a convicção de que um homem alegre (quer dizer, trágico) é superior a um homem (estupidamente) feliz".



Opinião Pessoal

Samuel é um homem "desolado" com o que o rodeia, é um homem que não concorda nem aceita as mudanças no mundo... em tempos foi respeitado pela família e amigos, nunca contestado; mas agora ninguém lhe dava ouvidos, todos achavam que Samuel tinha parado no tempo, e isso desgostava-o. Senhor da razão e dos bons valores, Samuel opinava os comportamentos e as acções de todos, sendo que quase todos lhe viraram as costas  por considerarem-no "fora de moda" e "antiquado".... Só lhe restava a filha, o genro, o neto, a atual companheira... e o filho que andava a viajar pelo mundo. Será para esse mesmo filho "perdido" que este pai se vai abrir, num género de desabafo e confissão, algo dito apenas no fim da vida quando não se espera nada.

À priori, o leitor poderá não gostar de "ouvir" Samuel, pois parecerá antiquado, resmungão, chato e velho. Mas, por favor, atentem nas suas palavras. Este monólogo é delicioso! Quem ler, vai reconhecer-se em muitas partes, ou reconhecer alguém.

Nesta obra está presente a dicotomia alegria vs felicidade:

  1. Alegria = Manifestação de contentamento; prazer; júbilo; satisfação.
Alegre é aquele que sente ou causa alegria; contente; agradável.
  1. Felicidade = Estado de quem é feliz; ventura; boa fortuna; sorte; bom êxito.

Feliz é aquele que goza de felicidade; afortunado; próspero; ditoso; que teve bom êxito; bem executado; bem imaginado; venturoso; satisfeito; pessoa feliz.
Esta distinção leva-me a crer que Samuel já foi feliz, mas com o passar dos anos esse estado de espírito foi sendo substituído por momentos de alegria. E agora ele não entende como é que o filho pode ser feliz... daí perguntar-lhe constantemente isso.


Relembro que a obra pretende atacar, através da voz desolada e inconformada de Samuel, «a época de conformismo brando, na qual imperam as aparências e as superficialidades».
Ao longo de todo o livro vemos Samuel a atacar uma sociedade com a qual não se conforma, e a dar exemplos para tentarmos perceber o seu ponto de vista.


PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom



Sugestões

Encontrei duas boas opiniões para consultarem: TSF e Blogue «Dose Antimonotonia».
Sobre a autora Yasmina Reza há informação na Wook e também na Wikipedia [eng].





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Quotes "Uma Desolação"