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domingo, 7 de junho de 2015

"Uma Desolação", de Yasmina Reza

Identificação do Livro


Autor: Yasmina Reza
Título Original: "Une désolation"
Edições: ASA
Nº de Págs.: 96
Colecção: Pequenos Prazeres
Ano de Edição: 2001
Classificação:


Sinopse: Um pai, no fim da sua vida, dirige-se ao filho para expressar-lhe toda a sua "desolação". Esse monólogo exprime o seu rancor contra todos - familiares, amigos, pessoas com quem se cruza na rua - mas muito particularmente contra o filho. Um filho que se converteu a uma época de conformismo brando, na qual imperam as aparências e a superficialidade. Um filho que escolheu ser um "adaptado" e cuja única ambição é ser feliz. Feliz. Uma palavra "asquerosa", inconveniente: "Teria preferido um filho criminoso ou terrorista do que um militante da felicidade".
Obra tonificante, construída com a energia do desespero. «Uma Desolação» é como que uma poderosa bofetada na cara de uma época - a nossa - que coloca os bons sentimentos à frente dos grandes carácteres. Um romance cáustico que, como escreveu a revista francesa Lire: "repousa sobre a convicção de que um homem alegre (quer dizer, trágico) é superior a um homem (estupidamente) feliz".



Opinião Pessoal

Samuel é um homem "desolado" com o que o rodeia, é um homem que não concorda nem aceita as mudanças no mundo... em tempos foi respeitado pela família e amigos, nunca contestado; mas agora ninguém lhe dava ouvidos, todos achavam que Samuel tinha parado no tempo, e isso desgostava-o. Senhor da razão e dos bons valores, Samuel opinava os comportamentos e as acções de todos, sendo que quase todos lhe viraram as costas  por considerarem-no "fora de moda" e "antiquado".... Só lhe restava a filha, o genro, o neto, a atual companheira... e o filho que andava a viajar pelo mundo. Será para esse mesmo filho "perdido" que este pai se vai abrir, num género de desabafo e confissão, algo dito apenas no fim da vida quando não se espera nada.

À priori, o leitor poderá não gostar de "ouvir" Samuel, pois parecerá antiquado, resmungão, chato e velho. Mas, por favor, atentem nas suas palavras. Este monólogo é delicioso! Quem ler, vai reconhecer-se em muitas partes, ou reconhecer alguém.

Nesta obra está presente a dicotomia alegria vs felicidade:

  1. Alegria = Manifestação de contentamento; prazer; júbilo; satisfação.
Alegre é aquele que sente ou causa alegria; contente; agradável.
  1. Felicidade = Estado de quem é feliz; ventura; boa fortuna; sorte; bom êxito.

Feliz é aquele que goza de felicidade; afortunado; próspero; ditoso; que teve bom êxito; bem executado; bem imaginado; venturoso; satisfeito; pessoa feliz.
Esta distinção leva-me a crer que Samuel já foi feliz, mas com o passar dos anos esse estado de espírito foi sendo substituído por momentos de alegria. E agora ele não entende como é que o filho pode ser feliz... daí perguntar-lhe constantemente isso.


Relembro que a obra pretende atacar, através da voz desolada e inconformada de Samuel, «a época de conformismo brando, na qual imperam as aparências e as superficialidades».
Ao longo de todo o livro vemos Samuel a atacar uma sociedade com a qual não se conforma, e a dar exemplos para tentarmos perceber o seu ponto de vista.


PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom



Sugestões

Encontrei duas boas opiniões para consultarem: TSF e Blogue «Dose Antimonotonia».
Sobre a autora Yasmina Reza há informação na Wook e também na Wikipedia [eng].





⊱✿◕‿◕✿⊰




Quotes "Uma Desolação"



















domingo, 18 de janeiro de 2015

"Quartéis de Inverno", por Osvaldo Soriano

Identificação do Livro


Autor: Osvaldo Soriano
Título Original: Cuarteles de Invierno
Edições: ASA
Nº. de págs.: 160
Colecção: Letras do Mundo
Ano de edição: 1994
Classificação: Romance

Sinopse: "Humor negro, acção vertiginosa, diálogos breves e fulgurantes, um estilo rápido e seco como o de um Hemingway heróico-cómico, fazem deste romance uma leitura apaixonante", escreveu Italo Calvino a propósito de um outro livro do autor. As mesmas palavras poderiam aplicar-se a «Quartéis de Inverno», a obra mais importante de Osvaldo Soriano.
Quando, em plena ditadura militar, o exército argentino promove uma festa grandiosa para celebrar o novo status quo, as figuras inesquecíveis de um boxer e de um cantor de tangos emergem, como símbolos universais de um combate tremendo pela sobrevivência e pela dignidade.
Diferente da maior parte dos autores latino-americanos, Soriano escreve como uma testemunha de um período negro da história do seu país, sem no entanto jamais cair no habitual "folclore" da literatura comprometida e panfletária. Daí que «Quartéis de Inverno» nos transmita de um modo excepcional a crueldade que a violência possui quando se torna quotidiana e inexplicável. Em duas palavras: uma obra-prima.



Opinião Pessoal


De leitura fácil, vocabulário acessível, personagens que retratam pessoas simples, histórias pigmentadas de realismo, foco nos problemas sociais, cenários de violência quotidiana... São estes os traços gerais da obra publicada em 1982 pelo argentino Osvaldo Soriano. O autor tem como característica escrever histórias sobre o dia-a-dia das pessoas comuns, o que não é apreciado por uma grande parte dos leitores e críticos, De resto, Soriano, graças à sua experiência pessoal, transpõe para o papel situações baseadas nos conflitos existentes no seu país natal, assim como das problemáticas globais decorrentes do Braço de Ferro entre o Socialismo Soviético e as Democracias Ocidentais (mais concretamente os EUA); afirma-se pois, desta forma, o alto nível literário que as obras do argentino revestem.

Especificamente esta obra «Quartéis de Inverno», mostra como as ditaduras militares influenciam negativamente as populações, afrouxam a cultura e a educação, menosprezam o valor de cada indivíduo... atrás de slogans e campanhas publicitárias do género: «Povo e Forças Armadas unidos no Destino Comum de Paz e Grandeza».

Cá em Portugal viveu-se um período como esse, apelidado de Estado Novo, entre 1933 e 1974.

Os personagens principais de «Quartéis de Inverno»:
    Galván, o cantor
              +
    Rocha, o pugilista
Tornam-se amigos, camaradas, durante a estadia na povoação de Colonia Vela onde reina a "paz militar".



PONTUAÇÃO DO Livro

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom


Sugestões


Com base neste livro, Peter Lilienthal produziu um filme em 1984, rodado em Cuba, com o nome «Das Autogramm»
Na wikipedia podem encontrar-se mais informações sobre o autor.



。◕‿◕。








terça-feira, 15 de abril de 2014

Quote "A Arte de Amar"










"A Arte de Amar", de Elizabeth Edmondson



Identificação do Livro


Autor: Elizabeth Edmondson
Título Original: The Art Of Love
Edições: ASA
Nº. de págs.: 400
Colecção: Literatura Romance
Ano de edição: 2009
Classificação: Romance

Sinopse: "Polly Smith está a tentar sobreviver enquanto artista quando Oliver, seu amigo e mecenas, a convida a ir para casa do pai no Sul de França. Entusiasmada por poder fugir do frio e da chuva de Londres e do noivo monótono, Polly pede a sua certidão de nascimento para poder requerer um passaporte. Mas é aí que o seu mundo desaba: aquela que sempre pensou ser sua mãe é, na verdade, sua tia; a identidade do pai é desconhecida e até o seu próprio nome não está correcto. A sua «fuga» para o sol da estimulante da Riviera imprime uma nova vida à sua pintura, mas nem tudo corre bem na mansão onde está hospedada. O pai de Oliver foi forçado a abandonar a Inglaterra no meio de um escândalo e, apesar do sofisticado e cosmopolita grupo de amigos que o rodeia, está prestes a ser apanhado pelo seu passado. E, embora Polly se encontre no centro de uma teia de mentiras, o seu próprio futuro começa a tomar um novo e fascinante rumo..."



Opinião Pessoal


Sinceramente, não gostei deste livro, desta história, nem da autora.
Não é uma escritora brilhante apesar dos seus livros serem bestseller's. O seu tipo e a sua forma de escrita é simples, mas não é cativante nem envolvente.
Primeiramente, o que me desgostou foi a capa escolhida pela editora ASA porque não tem nada a ver com a história, e depois foi a sinopse que está mal feita; estes dois pontos, capa e sinopse, induzem o leitor em erro, o que não deveria acontecer. Se atentarmos na versão inglesa pela editora HarperCollins Publishers, tanto a capa como a sinopse estão de acordo com a história (ver aqui), porque contextualizam no tempo e no espaço a acção.
Em segundo, a construção das personagens não foi a mais bem sucedida, exceptuando-se Polly, a personagem principal, que a meu ver é a única que se salva. A autora criou uma teia de personagens interligadas entre si numa nuvem de coincidências bizarras - eu acredito em coincidências, contudo a autora exagerou e fantasiou um pouco. A saída de algumas personagens foi forçada, como aconteceu com Roger, noivo de Polly, e Sir Walter, o vilão da história - o que dá a ideia errada de que podemos enterrar os nossos problemas pois eles não irão aparecer. Seria mais enriquecedor haver um confronto final entre Polly e Roger ou com Sir Walter.
Devido a esta mixórdia de histórias individuais a ocorrerem ao mesmo tempo, penso que Elizabeth Edmondson tem mais jeito para escrever guiões de filmes do que livros, é que a divisão dos capítulos corresponde tal e qual a cenas de filmes (take 1, take 2, take 3, etc...). Esta autora não chega aos calcanhares da portuguesa Rosa Lobato de Faria, que também usou no seu livro "O Prenúncio das Águas" essa técnica da divisão dos capítulos de acordo com a visão de cada personagem. Se repararem, "A Arte de Amar" não perderia nada se fosse adaptado para o cinema.
Em terceiro lugar, não me pareceu haver um rigor histórico. É verdade que se menciona as pinturas vanguardistas dos inícios do séc. XX, juntamente com a vida precária dos artistas em geral. Mas Sommerset Maugham faz isso mil vezes melhor com mais qualidade, precisão e rigor, tal como se vê em "A Lua e Cinco Tostões".
Por último, há alguns pontos que poderão ser considerados interessantes, nomeadamente quanto ao pensamento da época e a alguns costumes ou práticas da sociedade londrina, mas não são suficientes para eu dizer que o livro vale a pena.
Em jeito de conclusão, este tipo de livrosbestseller's são para leitores menos exigentes, pessoas atarefadas com o seu dia a dia e/ou com pouca prática de leitura. Como disse mais acima, a escrita é simples e perfeitamente compreensível, há escândalos corriqueiros e intrigas, uma boa história para se vender porque não obriga o leitor a pensar muito.



PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰ ✰ - Fraco



Mais infos






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domingo, 9 de março de 2014

"Silêncio de Ferro", de Marcello Fois

Identificação do Livro

Autor: Marcello Fois
Título Original: Ferro Recente
Edições: Edições ASA
Nº de Págs.: 152
Coleção: Pequenos Prazeres
Ano de Edição: 2003
Classificação: Romance

Sinopse: A Sardenha, onde Marcello Fois nasceu, ficou marcada para sempre pela violência típica das velhas épocas contemporâneas da dominação romana.
Este romance, que se debruça sobre três assassinatos bárbaros e inexplicados, que a justiça tende a ligar a um longínquo caso de terrorismo, reflecte toda a dureza dessa terra obscura e martirizada. Para lá da superfície, ressoa, taciturna e secretamente, um mistério, um desses perigosos mistérios de uma Sardenha ancestral, silenciosa e cortante como o ferro.Um mistério que está destinado a provocar outras mortes, num cenário feroz de amor e ódio, numa terra agreste que só aos poucos se deixa conhecer.


“Silêncio de Ferro é um romance belíssimo, em que o horror e a tensão da narrativa constroem a estrutura coral de uma verdadeira tragédia, uma tragédia negra.”

Carlo Lucarelli





PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom











sábado, 15 de fevereiro de 2014

"Inês de Portugal", de João Aguiar


Identificação do Livro


Autor: João Aguiar
Edições: ASA
Nº. de págs.: 135
Colecção: Pequenos Prazeres da ASA 
Ano de edição: 1999
Classificação: Romance

Sinopse: Castelo de Santarém, num dia do ano de Cristo de 1359. Enquanto El-Rei D. Pedro I corre a caça pelos campos, os seus conselheiros Álvaro Pais e João Afonso Tello esperam com sombria ansiedade a chegada de dois prisioneiros, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho, dois dos "matadores" de Inês de Castro (o terceiro, Diogo Lopes Pacheco, logrou fugir e refugiou-se em França). A esses homens havia sido solenemente prometido perdão, mas o Rei, decidido a vingar a única mulher que amou, quebrou o juramento feito, e agora eles vêm, debaixo de ferros, a caminho de Santarém. É este o ponto de partida de Inês de Portugal. Mas ao longo das suas páginas é todas a história de Pedro e Inês que João Aguiar reconstrói, abordando pela primeira vez um tema histórico posterior à Nacionalidade e fazendo-o desde logo com um dos mitos maiores da nossa consciência de Nação.
O presente romance baseia-se no guião que o autor escreveu, em colaboração com o realizador, para o filme homónimo de José Carlos de Oliveira.




PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom




Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ



Sugestões






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domingo, 24 de fevereiro de 2013

"Vendidas!", de Zana Muhsen

Capa Edição 1993

Identificação do Livro

Autor: Zana Muhsen
Título Original: Vendues!
Edições: 2ª edição
Nº. de págs.: 400
Colecção: ASA de Bolso
Ano de edição: 2005
Classificação: Memórias e Testemunhos

Sinopse:
Trezentos e cinquenta contos. Foi este o preço pelo qual Muthana Muhsen vendeu as filhas: Zana, de 15, e Nadia, de 14 anos. De pai iemenita e mãe britânica, Zana e Nadia viviam em Inglaterra.
Um dia, após o início daquilo que pensavam ser umas férias de sonho, viram-se casadas à força numa aldeia perdida do Iémen, onde vieram a sofrer toda a casta de violências e humilhações. 
Capa Edição 2001
Após oito anos de luta, Zana conseguiu fugir. Mas o seu filho, a sua irmã Nadia e a filha desta continuaram prisioneiros... Zana e a mãe juraram a si próprias fazê-los sair do Iémen. E Zana descreve neste livro a sua história e o combate que tem travado em prol da libertação da irmã. 
Vendidas! é um documento de excepcional importância sobre uma das práticas mais aberrantes do mundo contemporâneo. A sua leitura, muitas vezes chocante, permite descobrir a realidade que se oculta por detrás da fachada pretensamente civilizada de alguns países e de algumas culturas.



Opinião Pessoal

Capa Edição 2012
Mais uma cortina desvendada...
É impressionante como as pessoas são maldosas e gostam de fazer sofrer os outros....

Desde 1980 até agora, a cultura do Iémen não mudou: os valores e os costumes são os mesmos, as práticas sociais e os "joguinhos de poder e manipulação" mantêm-se, tal como o papel da mulher na sociedade continua a ser redutor... Não é correta a pressão colocada sobre os rapazes adolescentes para casarem, mas eles não sofrem tanto como as crianças meninas de 8 anos que, por causa de convenções estúpidas, deixam de ser crianças da noite para o dia...
Não culpo diretamente a religião, mas sim as pessoas!
Qual é o sentido dos homens iemnitas emigrarem, camuflarem-se na Cultura Ocidental e regressarem ao Iémen iguais? Porquê que não levam as coisas boas da civilização para as suas casas? Porquê que não tentam melhorar as condições de vida da sua família? Porquê que preferem as técnicas milenares rudimentares? A liberdade ocidental assusta-os assim tanto?
Como disse, não tem a ver com religião, tem a ver com as pessoas e os seus esquemas de manipulação e de poder.
É terrível viver daquela maneira.
Foi terrível para a Zana. Continua a ser terrível para Nadia.
E continuará a ser terrível para milhares de mulheres que vivem nos Países do Terceiro Mundo.


PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ❤ - Favorito



Sugestões

Encontra-se atualmente à venda a reimpressão de 2012, em formato livro e e-book, com uma nova capa. Podem ver aqui na Wook. Está também disponível um excerto para ler =)
Na wikipedia encontram, em inglês, informações sobre Nadia, a irmã de Zana, que ainda se encontra no Iémen, pelo que pude apurar. Há também referências a artigos de jornais (em inglês) sobre os esforços de Zana para conseguir a libertação da irmã, do filho e dos sobrinhos. 





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domingo, 8 de novembro de 2009

Quotes "A Terceira Condição"
















"A Terceira Condição", de Amos Oz


Identificação do Livro


Autor: Amos Oz
Título Original: Ha-Matsav Ha-Shelishi
Edições: ASA
Nº. de págs.: 320
Colecção: Vintage
Ano de edição: 2009
Classificação: Romance

Sinopse: Fima é um sonhador totalmente incapaz de agir sobre a sua própria vida. Este homem de meia-idade sofre por sentir que decepcionou o seu pai ao acomodar-se a um emprego como recepcionista de uma clínica ginecológica, e a sua ex-mulher, a quem permitiu abandonar o casamento sem opor qualquer resistência. Fima também se decepciona a si próprio diariamente. Fascinado pela carismática Annette, nada faz para se aproximar dela e mantém uma amizade estéril com Nina, para quem cada acto sexual dá azo a uma obsessiva espiral de limpeza pessoal e doméstica. Ele não consegue sequer matar uma barata sem que se sinta sufocar em reflexões sobre o povo judeu. Fima acabará, contudo, por ter o seu momento de redenção durante um passeio pelas ruas de Jerusalém, quando se pacifica por fim com o seu estatuto de judeu errante.

Um ponto de vista apaixonante sobre o conflito que opõe israelitas e palestinianos.



Opinião Pessoal


Um livro delicioso!



PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom




Sugestões

Este livro encontra-se à venda na Wook.
Leiam duas opiniões nestes sítios «Delírios e Devaneios» e «Estante de Livros».





quarta-feira, 5 de agosto de 2009

"O Prenúncio das Águas", de Rosa Lobato de Faria



Identificação do Livro


Autor: Rosa Lobato de Faria
Edições: ASA
Nº de págs: 216
Colecção: ASA de Bolso
Classificação: ficção

SinopseTendo como pano de fundo uma aldeia condenada a ficar submersa pelas águas de uma barragem, cinco narradores falam de si, completando, à medida que o fazem, uma história a que só o leitor terá direito...


Críticas:

"São raros os escritores que, como a autora de O Prenúncio das Águas, detêm detêm uma extraordinária fluência discursiva aliada a uma poderosa imaginação criadora, "viciando" o leitor nos jogos da paixão, do ciúme e da vingança. Em fundo, um universo ficcional onde o fantástico e o real se entrelaçam. Como ponte entre ambos, a complexidade simbólica da água: fonte de vida, centro de amor, agente da morte. Canto do cisne de uma aldeia real e mítica, luz que brilhará para sempre no fundo das águas".
Teresa Martins Marques


"Dotada de uma esplendorosa imaginação gótica , Rosa Lobato de Faria evidencia, como poucos romancistas, o poder, típico dos grandes ficcionistas, de aprisionar com firmeza o leitor no interior do seu fascinante universo, "fechando-o", durante duas ou três horas, a qualquer contacto com o mundo "cá de fora". Um notabilíssimo talento".
Eugénio Lisboa

Opinião Pessoal


Não vou fazer a sinopse com medo de contar a história toda (risos). Porque se contasse a vida de cada personagem + os enredos e etc... O factor mistério, na altura em que lessem este livro, já não existiria. E seria uma enorme pena!
Referencio só os nomes dos 5 narradores: Filomena, Tia Sebastiana, Pedro, Prof. Ivo Durães e Ausenda.
Assim, resumo-me apenas à minha opinião e experiência da leitura. É de facto muito pouco para quem nunca leu este livro, mas o objectivo é "deixar a pulga atrás da orelha".

Começo então pela organização do livro.
Não há capítulos numerados. Há sim grandes espaços que permitem identificar a tal mudança de capítulo. E se calhar nem se chamam capítulos, mas partes. E em cada uma das partes (contei 36, com uma média de 4 páginas), uma narrador fala aleatoriamente.
Gostei desta forma de organização, parecida com "O Memorial do Convento" de José Saramago. Intui ao leitor maior fluidez do discurso, assim como a ligação das diferentes histórias narradas, que no final se complementam umas às outras. É uma boa táctica usada pela escritora.

Dica:
Escrevam em cada início de capítulo/parte o nome do narrador. É uma forma de não perderem o fio à meada.


Quanto à história...Foi muito bem pensada e elaborada. Com forte carácter verídico (factor que me interessa bastante), aliado a uma "poderosa imaginação criadora", como criticou Teresa Martins Marques, mais acima.
Todas as personagens me fascinaram. Desde a Filomena com a sua atitude jovem e irreverente, à Tia Sebastiana com o seu passado e as suas lendas, ao Pedro como criança feliz, à Ausenda mais a sua família e mistérios, e ao Prof. Ivo Durães pela sua cultura e virtudes.
Todos eles estão ligados primeiramente pelo facto de serem naturais e gostarem da aldeia Rio do Anjo, que está para sempre condenada ao afogamento e esquecimento....
É fantástico o enredo e as tramas que se descobrem. Porque provocam a reflexão sobre as tradições e a maneira de pensar das pessoas daquela terra e em vários momentos históricos. Aprendi coisas novas =)

Foi o primeiro livro que li da escritora Rosa Lobato de Faria e gostei. Pretendo ler mais obras suas.
Aconselho também que o façam. Afinal de contas, é uma grande e admirada escritora portuguesa. Há que apoiar a literatura nacional ;)



PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ❤ - Favorito



Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ









domingo, 19 de julho de 2009

O direito de não acabar um livro



"O meu chapéu cinzento - Pequenas Geografias", de Olivier Rolin 

é uma tentativa falhada de leitura.

Comprei-o numa feira do livro que se fez na minha antiga escola por 2€. 

O livro pareceu-me interessante aquando lia a contracapa e decidi adquiri-lo.





Identificação do livro


Autor: Olivier Rolin
Editora: ASA
Colecção: Pequenos Prazeres
Nº de págs: 144
Sinopse: O Meu Chapéu Cinzento, de Olivier Rolin, transporta-nos, numa extraordinária viagem, da Alexandria de Cavafy e Durrell à Lisboa de Fernando Pessoa, à Atenas de Melina Mercouri, à Goa de Tabucchi, aos Açores de Antero e dos pescadores de baleias... 
Recusando embora a classificação de escritor de viagens, Rolin demonstra aqui, porém, a velha e frutuosa ligação que a viagem e a literatura estabeleceram desde que Homero fez Ulisses voltar a Ítaca...
A presente edição de O Meu Chapéu Cinzento - título inspirado num verso de Blaise Cendrars - reproduz nove das viagens da edição original francesa, seleccionadas pelo autor e pelo editor português. 
Como diz Olivier Rolin, a coerência que podemos esperar deste conjunto de relatos é a que resulta do facto de "em cada uma das escalas desta peregrinação nos termos esforçado por exigir alguma exactidão das palavras, de modo a que elas constituíssem como que os fragmentos de uma geografia, isto é, de uma escrita escrupulosa de terra".



Opinião Pessoal


A 1ª página até gostei, mas o autor começa a "viajar" muito com as palavras e eu disperso-me. Lia repetidamente alguns excertos para conseguir perceber a lógica do texto, mas perdi o entusiasmo. Penso que o autor usa de muita perífrase ao ponto de cansar o leitor.

Parei de ler na pág. 17, nem cheguei ao fim do 1º capítulo -> servi-me d' Os Direitos Inalienáveis do Leitor e agi em conformidade com o Terceiro Direito: o direito de não acabar um livro. 

Com certeza terei de concentrar-me mais neste livro e abstrair-me do que me rodeia se quiser alcançar a última pág. No entanto, se alguém já leu este livro todo, pode dizer-me o que achou? Bastaria um pequeno comentário. Obrigada.




◑﹏◐







domingo, 5 de julho de 2009

"Como um Romance", de Daniel Pennac


Identificação do Livro



Autor: Daniel Pennac
Edições: ASA
Colecção: Pequenos Prazeres
Nº de págs: 174
Classificação: Ensaio

SinopseÉ sobejamente conhecido o desgosto com que os pais preocupados com a formação dos filhos costumam registar a inapetência destes para a leitura. Daniel Pennac, romancista, professor e pai de família, descreve neste ensaio cheio de humor, todas as perplexidades que usualmente assaltam os diversos intervenientes neste processo de conflitos surdos, temores, bloqueios e teimosias. Acima de tudo, conforme se sublinha no presente livro, a leitura tem de ser um prazer e os leitores de hoje devem usufruir de alguns direitos inalienáveis.

«Como Um Romance» é assim uma obra profundamente original, onde, de uma forma ao mesmo tempo divertida e muito séria, se aborda aquela que é porventura a questão central de que dependem o destino do livro e da cultura tal como a temos entendido tradicionalmente.


Opinião Pessoal



O autor, através de exemplos do dia-a-dia e, principalmente, através da sua própria experiência de vida, expõe motivos que fazem com que os jovens se interessem (ou não) pela leitura.

O livro tem quatro capítulos:

  1. Nascimento do Alquimista
  2. É Preciso Ler (o dogma)
  3. Dar a Ler
  4. O que leremos (ou os direitos inalienáveis do leitor)
É de fácil leitura pois todos os capítulos estão subdivididos, em média, por 15-20 partes que ocupam entre 2 a 8 páginas cada uma. É, também, de fácil compreensão. A linguagem é muito acessível. Os exemplos escolhidos são amostras representativas da realidade, o que torna este livro ainda mais credível por parte do público.
O autor aborda esta temática - a preocupação de pais e professores pela falta de interesse e gosto que os jovens manifestam pela leitura - de uma forma leve, descontraída, divertida. Não pretende acusar nem culpar ninguém. Apenas "põe as cartas na mesa" e apresenta os factos, tira conclusões e sugere possíveis soluções. Os direitos inalienáveis do leitor são uma prova dessa leveza com que o assunto é abordado.
No entanto, a situação dos jovens gostarem menos de ler é preocupante e séria. A era das tecnologias tê-los-á "despertado" para o privilégio da visão e do som, fazendo-os esquecer do prazer de ler e de imaginar cada palavra lida.
A originalidade de "Como um Romance" está quando o autor condimenta esta temática com uma pitada de bom humor e ironia.
Pessoalmente, apreciei bastante este livro. Recomendo a sua leitura, nem que seja só para conhecer os direitos inalienáveis do leitor (capítulo 4), que os colocarei no blog para todos verem =)


P.S.: O autor, Daniel Pennac, não tem uma página web oficial. Assim, o link que coloquei está direccionado para a Wikipedia, mas esta encontra-se em inglês, já que não há nenhum artigo em português.





Pontuação do Livro
  • ❤ - Favorito

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ





domingo, 14 de junho de 2009

"A Lua e Cinco Tostões", de Somerset Maugham



Identificação do Livro



Autor: Somerset Maugham
Edições: ASA
Colecção: Pequenos Prazeres
Nº págs.: 320
Classificação: Romance
Ilustração da Capa: Pormenor de um quadro de Paul Gauguin

Sinopse: Charles Strickland, corretor da Bolsa de Valores e típico homem de negócios, vive em Londres, é casado e pai de dois filhos. É ao mesmo tempo um homem atormentado por um voraz impulso artístico, ao qual cede por fim, trocando a sua vida convencional e privilegiada pela precaridade da vida de pintor em Paris e no Taiti. Mas, se por um lado, trair a família, o dever e a honra lhe dá a liberdade de que precisa para alcançar a excelência, por outro, essa decisão gera nele uma obsessão que virá a ter consequências terríveis.

Numa ode às forças poderosas e inontroláveis que existem por detrás da criação artística, a alma torturada e negligentemente cruel de Strickland simboliza aquilo que é, simultaneamente, a benção e a maldição do génio criativo.
Baseado na vida de Paul Gaugin, «A Lua e Cinco Tostões» é uma crítica mordaz da moral eduardiana e um retrato fulgurante da psicologia do génio. É esta pequena obra-prima de um grande escritor que a ASA se orgulha de relançar no mercado português, numa nova e qualificada tradução de Ana Maria Chaves.


“As pessoas dizem-me que é um bom título, mas que não sabem o que quer dizer.
Quer dizer isto: desejar a Lua e ignorar a moeda que está caída aos nossos pés.” 
Somerset Maugham, a propósito deste seu livro 

“Maugham foi o escritor moderno que mais me influenciou” 
George Orwell

Síntese do assunto (por capítulos)



Este livro retrata a genialidade de um pintor britânico proveniente da sociedade moderna dos finais do séc. XIX e inícios do séc. XX. Trata de questões como a Arte (ruptura com os cânones e primeiras vanguardas artísticas), a Humanidade (ambições, aspirações, "pecados e virtudes", situação sócio-económica e cultural), a Sociedade (convenções, regras, modas, status social), a Psicologia (os enredos da mente humana, a busca de explicações para comportamentos e/ou atitudes).

1 e 2 - O narrador autodiegético expõe os motivos pessoais que o levaram a escrever o livro.
3 - Brevíssima referência autobiográfica, apresentação do 1º plano do mundo dos escritores. Focagem de alguns aspectos da sociedade da época (fins séc. XIX - inícios séc. XX).
4 a 6 - Primeiro contacto com a familía de Charles Strickland, através de uma sua amiga escritora (Rose Waterford). Convívio com a família do futuro pintor, principalmente com Mrs.Strickland (pequena biografia). Descrição crítica da sociedade e apresentação do 2º plano do mundo dos escritores.
7 - Descrição da família de Strickland, incidindo nos seus 2 filhos.
8 e 9 - Charles Strickland abandona a mulher + filhos e vai para Paris. Nasce uma onda de boatos acerca deste episódio.
10 - Mrs. Strickland desabafa com o narrador e, apela a este para trazer o seu marido de volta.
11 a 13 - O narrador viaja para Paris à procura de Strickland. Encontro e conversa entre os dois. A partir daqui, descobre-se a personalidade controversa de Charles e assiste-se à 1ª tentativa do narrador para a compreender.
14 - Reflexões do narrador durante a viagem de regresso a Londres. Este viria sozinho, Strickland não o acompanhara e permanecera em Paris como era sua vontade.
15 a 17 - Mrs. Strickland é posta ao corrente dos intentos do seu marido, através do narrador, e faz-se à vida. Torna-se uma dactilógrafa de sucesso. Entretanto, o narrador sai da trivialidade de Londres e parte para Paris, passados 5 anos.
18 e 19 - Chegado a Paris contacta com o seu amigo Dirk Stroeve, pintor impressionista. Convive com este e a sua esposa, Blanche (descrição/caracterização e comentário pessoal sobre a personalidade de ambos, a sua relação conjugal e as obras de Stroeve). Episódio cómico em que Stroeve convida Strickland para ver os seus quadros.
20 e 21 - Encontro + jantar entre o narrador e Strickland (capítulos importantes).
22 - Estadia do narrador por Paris.
23 - Relação dos 3 artistas (Strickland + Stroeve + narrador) e descrição do casal Stroeve. (capítulo interessante)
24 - A época natalícia e a descoberta do "esconderijo" onde habitava Strickland.
25 - Pedido de Dirk a Blanche. (curioso o capítulo)
26 - Tratamento e recuperação de Strickland. O casal Stroeve cuidou dele durante 6 semanas.
27 e 28 - Revolução na casa de Stroeve: Strickland apodera-se do estúdio dele e expulsa-o de lá, Blanche apaixona-se por Strickland e quer deixar Stroeve! O pintor impressionista sai de casa e vai para a rua da amargura! 
29 a 32- Dirk apoia-se no seu amigo, o narrador. Este faz reflexões sobre toda a situação, desde a personalidade dos 3 intervenientes deste triângulo amoroso até às intenções de Strickland, que para ele continuavam incompreensíveis.
33 a 36 - Série de acontecimentos que envolve a separação de Strickland e Blanche + tentativa de suicídio e morte de Blanche.
37 a 39 - Funeral de Blanche. Dirk Stroeve vai para casa dos pais, na Holanda (seu país natal).
40 a 42 - Narrador e Strickland; diálogos, opiniões, último contacto entre os dois. (capítulo importante)
43 - Reflexão I do narrador.
44 - A opinião de Strickland quanto aos outros pintores.
45 - Taiti, o local onde o artista se encontrou. Aqui, o narrador aproveitou para saber + infos sobre Charles.
46 e 47 - Capitão Nichols (breve biografia) e o seu testemunho de ter conhecido o pintor e da vida que levaram juntos em Marselha.
48 - Reflexão II do narrador.
49 - Tiaré Johnson (breve biografia), amiga de Charles que o ajudou.
50 - Reflexão III do narrador.
51 e 52 - Casamento de Charles Strickland com Ata, parenta de Tiaré. Breve descrição da vida do casal.
53 e 54 - Capitão Brunot (breve biografia) e testemunho de ter conhecido o pintor.
55 e 56 - Dr. Coutras, o médico que cuidou da lepra de Strickland.
57 - Morte de Charles Strickland.
58 - Reencontro do narrador com Mrs. Strickland para a pôr a par dos anos de vida do seu marido.

Aspectos do texto que despertaram interesse



A personalidade de Charles Strickland + as reflexões do narrador, entre outros.

Opinião sobre o livro


Os primeiros dois capítulos são capazes de desinteressar os leitores menos atentos e perspicazes. Para se ler este livro é preciso disponibilidade e abertura. À medida que se vai percebendo melhor o enredo, a curiosidade aumenta. Poderão haver comportamentos/atitudes e pensamentos que "choquem" o leitor, mas não é nada de exagerado. O autor do livro escreve simplesmente a realidade tal como ela é. As temáticas abordadas são boas, muito boas. Os ambientes são simples e os diálogos ricos, tanto em significados e interpretações, como na própria linguagem (esta é acessível, mas tem palavras que eu desconhecia. Gostei de as conhecer :D ). As personagens foram bem construídas, conseguindo surpreender o leitor em quase todos os momentos.
Não me vou prolongar mais porque este post já está muito comprido. Apenas recomendo vivamente este livro a qualquer leitor que já tenha tido contacto com a Psicologia, História, Arte ou que goste muito de ler (risos).




PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ❤ - Favorito


Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ