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domingo, 18 de outubro de 2015

Quotes "Detenham essa Mulher"















"Detenham essa Mulher", de David Goodis

Identificação do Livro


Autor: David Goodis
Título Original: "Behold this woman"
Edições: Círculo de Leitores
Nº. de págs.: 240
Ano de edição: 1988
Classificação: Ficção

Sinopse: Debaixo de um aspeto inocente e alegre, escondia-se um verdadeiro demónio. Clara era uma mulher inteligente, ambiciosa, com um passado nebuloso que não a impedia de exigir cada vez mais: o crime, por exemplo...




Opinião Pessoal

Este livro pertence ao tipo literário "noir fiction", onde o protagonista tem qualidades auto-destrutivas e pode ser uma vítima, um suspeito ou um criminoso. Esse protagonista lida com questões legais e políticas, está a par dos seus meandros, não sendo a justiça e a política menos corruptas que o protagonista; assim como é vitimizado ou faz-se de vítima ou vitimiza diariamente outras pessoas.

No nosso livro, a protagonista é a Clara, uma femme fatale que arruína a vida dos seus amantes e magnetiza todas as pessoas ao seu redor. É má de natureza. É uma pessoa de sangue-frio, calculista, esteticamente atraente (apesar de ser gorda), completamente materialista, vaidosa, narcisista, sem escrúpulos para atingir os seus objetivos, mas um pouco supersticiosa.
Clara entra numa família fragilizada e, ao longo de três anos, vai conseguindo "sugar" toda a energia positiva daquela casa e moldando-os ao seu gosto. A presença negativa desta mulher na vida de qualquer pessoa produz efeitos catastróficos.

Sim, na realidade, há pessoas com esse génio do mal. Daí existirem os grandes problemas nas famílias, nas empresas, na sociedade em geral. Há uma série de "ovelhas negras", "sementes podres", que teimam em infestar e contaminar todo o mundo...

É muito difícil eliminar o Mal. Mas o Bem consegue.
E neste livro vê-se essa luta. 

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Uma outra questão tratada aqui no livro é o Amor.
O amor entre um pai e uma filha.
O amor de um marido para com a mulher falecida.
O amor entre dois corações jovens.

Sendo o amor a "arma" para resolver todo o mal.

--
Um pequeno apontamento:
Os homens, quando amam realmente uma mulher, ficam perdidos/doidos quando essa mesma mulher os magoa/ofende/trai ou fica chateada. Embora não admitam todos, a verdade é que dependem dessa mulher, desse amor, para viverem bem. 


PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom



Sugestões




domingo, 7 de junho de 2015

"Uma Desolação", de Yasmina Reza

Identificação do Livro


Autor: Yasmina Reza
Título Original: "Une désolation"
Edições: ASA
Nº de Págs.: 96
Colecção: Pequenos Prazeres
Ano de Edição: 2001
Classificação:


Sinopse: Um pai, no fim da sua vida, dirige-se ao filho para expressar-lhe toda a sua "desolação". Esse monólogo exprime o seu rancor contra todos - familiares, amigos, pessoas com quem se cruza na rua - mas muito particularmente contra o filho. Um filho que se converteu a uma época de conformismo brando, na qual imperam as aparências e a superficialidade. Um filho que escolheu ser um "adaptado" e cuja única ambição é ser feliz. Feliz. Uma palavra "asquerosa", inconveniente: "Teria preferido um filho criminoso ou terrorista do que um militante da felicidade".
Obra tonificante, construída com a energia do desespero. «Uma Desolação» é como que uma poderosa bofetada na cara de uma época - a nossa - que coloca os bons sentimentos à frente dos grandes carácteres. Um romance cáustico que, como escreveu a revista francesa Lire: "repousa sobre a convicção de que um homem alegre (quer dizer, trágico) é superior a um homem (estupidamente) feliz".



Opinião Pessoal

Samuel é um homem "desolado" com o que o rodeia, é um homem que não concorda nem aceita as mudanças no mundo... em tempos foi respeitado pela família e amigos, nunca contestado; mas agora ninguém lhe dava ouvidos, todos achavam que Samuel tinha parado no tempo, e isso desgostava-o. Senhor da razão e dos bons valores, Samuel opinava os comportamentos e as acções de todos, sendo que quase todos lhe viraram as costas  por considerarem-no "fora de moda" e "antiquado".... Só lhe restava a filha, o genro, o neto, a atual companheira... e o filho que andava a viajar pelo mundo. Será para esse mesmo filho "perdido" que este pai se vai abrir, num género de desabafo e confissão, algo dito apenas no fim da vida quando não se espera nada.

À priori, o leitor poderá não gostar de "ouvir" Samuel, pois parecerá antiquado, resmungão, chato e velho. Mas, por favor, atentem nas suas palavras. Este monólogo é delicioso! Quem ler, vai reconhecer-se em muitas partes, ou reconhecer alguém.

Nesta obra está presente a dicotomia alegria vs felicidade:

  1. Alegria = Manifestação de contentamento; prazer; júbilo; satisfação.
Alegre é aquele que sente ou causa alegria; contente; agradável.
  1. Felicidade = Estado de quem é feliz; ventura; boa fortuna; sorte; bom êxito.

Feliz é aquele que goza de felicidade; afortunado; próspero; ditoso; que teve bom êxito; bem executado; bem imaginado; venturoso; satisfeito; pessoa feliz.
Esta distinção leva-me a crer que Samuel já foi feliz, mas com o passar dos anos esse estado de espírito foi sendo substituído por momentos de alegria. E agora ele não entende como é que o filho pode ser feliz... daí perguntar-lhe constantemente isso.


Relembro que a obra pretende atacar, através da voz desolada e inconformada de Samuel, «a época de conformismo brando, na qual imperam as aparências e as superficialidades».
Ao longo de todo o livro vemos Samuel a atacar uma sociedade com a qual não se conforma, e a dar exemplos para tentarmos perceber o seu ponto de vista.


PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom



Sugestões

Encontrei duas boas opiniões para consultarem: TSF e Blogue «Dose Antimonotonia».
Sobre a autora Yasmina Reza há informação na Wook e também na Wikipedia [eng].





⊱✿◕‿◕✿⊰




domingo, 8 de março de 2015

"A Honra Perdida de Katharina Blum", de Heinrich Böll

Identificação do Livro


Autor: Heinrich Böll
Título Original: Die verlorene Ehre der Katharina Blum
Edições: Abril/Controljornal
Nº. de págs.: 95
Colecção: Colecção Novis - Biblioteca Visão
Ano de edição: 2000
Classificação: Romance


Sinopse: Heinrich Böll foi um dos escritores alemães mais importantes do período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. A sua obra, orientada por uma perspectiva moral que se ergue contra a sociedade materialista, oscila entre a esperança e o absurdo da acção humana. Com "A Honra Perdida de Katharina Blum", o autor aborda o problema do terrorismo, do conservadorismo agressivo e da imprensa sensacionalista, que envolvem a protagonista numa teia de falsas acusações; arruinada a sua reputação, resta-lhe recuperar a honra perdida. Uma obra-prima controversa deste romancista que foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1972. 




Opinião Pessoal

Este romance foi escrito em 1974, e retrata essa mesma época dos anos 70 na Alemanha Ocidental.
Faz-se uma crítica mordaz à imprensa sensacionalista, aos repórteres e jornalistas sem escrúpulos que são capazes de distorcer totalmente a verdade, em nome da liberdade de imprensa, não respeitando a vida íntima e privada das pessoas comuns.
Critica-se as elites, aquelas pessoas que pertencem a uma classe invisível superior à própria sociedade, que não são julgados pelos seus actos e conseguem ilibar-se facilmente dispensando "uns dinheiros".
Critica-se a "má sorte" e a "onda de desgraças" que afetam as pessoas comuns e da classe média, devido à influência de gente sem valores que pretendem descrutinar em praça pública e destruir as suas vidas honradas e modestas...

Após isto, após ter perdido a sua honra, Katharina Blum, como tantas outras mulheres e homens que se sentiram injustiçados, faz o que acha correto para descansar a sua consciência.

Julgar estas pessoas, pelos seus actos, em estado de desespero, é muito difícil.
Porque, se nos colocarmos no seu lugar, compreendemos num instante os motivos que as levaram a agir de tal maneira.



PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ❤ - Favorito




Sugestões

O autor foi Nobel da Literatura em 1972, como podem consultar aqui no site oficial «NobelPrize.org». Há um site dedicado à sua vida e obra aqui. Foi criada, em 1986, a Fundação Heinrich Böll, pelo Partido dos Verdes alemão, entrem aqui no site e vejam o plano de acção. Essa mesma fundação também tem uma filial no Brasil, como podem consultar nesta página do Facebook.
Na wikipedia    existem igualmente informações sobre o autor.

Em relação ao livro «A Honra Perdida de Katharina Blum», encontra-se à venda na Wook e para troca na Winkingbooks.

Em 1975, fez-se uma adaptação para o cinema, ver página IMDB - Internet Movie DataBase.




。◕‿◕。



domingo, 15 de fevereiro de 2015

"Os Fidalgos da Casa Mourisca", de Júlio Dinis

Identificação do Livro 


Autor: Júlio Dinis

Edições: Figueirinhas
Nº. de págs.: 400
Ano de edição: 1969
Classificação: Romance


Sinopse: Publicado no ano da morte do autor, este romance foca o progresso da burguesia e a consequente decadência da nobreza. As personagens são, em geral, vagas, sem definição psicológica, servindo principalmente como elemento estrutural do conteúdo.
A sequência temporal é evidente e marcada pelas várias circunstâncias que vão constituindo a ação, com as personagens perfeitamente integradas, desempenhando as suas várias funções e dando-nos a conhecer os seus pensamentos.  




Opinião Pessoal



PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ❤ - Favorito




Sugestões



Há muita informação na internet!
Consultem, por favor, o site Luso-Livros e a Infopedia, para começar.
Depois atentem à peça de teatro adaptada por Alice Ogando e realizada por Pedro Martins, em 1963. Podem vê-la aqui no Youtube de forma completa.
Só se conhece duas adaptações cinematográficas, a primeira em 1921 e a segunda em 1938.
Consultar a opinião no blogue «Tempo de Ler».

Podem ler a versão digital do livro aqui. 



。◕‿◕。




domingo, 18 de janeiro de 2015

"Quartéis de Inverno", por Osvaldo Soriano

Identificação do Livro


Autor: Osvaldo Soriano
Título Original: Cuarteles de Invierno
Edições: ASA
Nº. de págs.: 160
Colecção: Letras do Mundo
Ano de edição: 1994
Classificação: Romance

Sinopse: "Humor negro, acção vertiginosa, diálogos breves e fulgurantes, um estilo rápido e seco como o de um Hemingway heróico-cómico, fazem deste romance uma leitura apaixonante", escreveu Italo Calvino a propósito de um outro livro do autor. As mesmas palavras poderiam aplicar-se a «Quartéis de Inverno», a obra mais importante de Osvaldo Soriano.
Quando, em plena ditadura militar, o exército argentino promove uma festa grandiosa para celebrar o novo status quo, as figuras inesquecíveis de um boxer e de um cantor de tangos emergem, como símbolos universais de um combate tremendo pela sobrevivência e pela dignidade.
Diferente da maior parte dos autores latino-americanos, Soriano escreve como uma testemunha de um período negro da história do seu país, sem no entanto jamais cair no habitual "folclore" da literatura comprometida e panfletária. Daí que «Quartéis de Inverno» nos transmita de um modo excepcional a crueldade que a violência possui quando se torna quotidiana e inexplicável. Em duas palavras: uma obra-prima.



Opinião Pessoal


De leitura fácil, vocabulário acessível, personagens que retratam pessoas simples, histórias pigmentadas de realismo, foco nos problemas sociais, cenários de violência quotidiana... São estes os traços gerais da obra publicada em 1982 pelo argentino Osvaldo Soriano. O autor tem como característica escrever histórias sobre o dia-a-dia das pessoas comuns, o que não é apreciado por uma grande parte dos leitores e críticos, De resto, Soriano, graças à sua experiência pessoal, transpõe para o papel situações baseadas nos conflitos existentes no seu país natal, assim como das problemáticas globais decorrentes do Braço de Ferro entre o Socialismo Soviético e as Democracias Ocidentais (mais concretamente os EUA); afirma-se pois, desta forma, o alto nível literário que as obras do argentino revestem.

Especificamente esta obra «Quartéis de Inverno», mostra como as ditaduras militares influenciam negativamente as populações, afrouxam a cultura e a educação, menosprezam o valor de cada indivíduo... atrás de slogans e campanhas publicitárias do género: «Povo e Forças Armadas unidos no Destino Comum de Paz e Grandeza».

Cá em Portugal viveu-se um período como esse, apelidado de Estado Novo, entre 1933 e 1974.

Os personagens principais de «Quartéis de Inverno»:
    Galván, o cantor
              +
    Rocha, o pugilista
Tornam-se amigos, camaradas, durante a estadia na povoação de Colonia Vela onde reina a "paz militar".



PONTUAÇÃO DO Livro

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom


Sugestões


Com base neste livro, Peter Lilienthal produziu um filme em 1984, rodado em Cuba, com o nome «Das Autogramm»
Na wikipedia podem encontrar-se mais informações sobre o autor.



。◕‿◕。








sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

"Cinquenta Histórias Pouco Clínicas Mas Muito Cínicas", de Artur Couto e Santos

Identificação do Livro


Autor: Artur Couto e Santos
Edições: Edição de Autor
Nº. de págs.: 104
Ano de edição: 1997
Classificação: Contos

Sinopse: Desde que Artur Couto e Santos é Médico de Família, começou a coleccionar histórias exemplares que os seus doentes faziam o favor de lhe confiar. Por vezes as situações eram tão sórdidas e/ou tão inverosímeis que só podiam ser contadas ao nível da anedota. E aqui para nós, quem não gosta de se rir da desgraça alheia?...



Opinião Pessoal

Recebi este livro através da plataforma Winkingbooks.
Gostei muito das histórias relatadas em tom de anedota, realmente não haveria outra forma melhor de as contar. Nelas está implícita a ingenuidade e a ignorância de algumas pessoas, a frontalidade e sinceridade de outras, a falta de atenção e a solidão vivida por uns, a esperteza de outros, a fragilidade e a sensibilidade de alguns, etc.... exemplos da população portuguesa!

Quanto ao autor, fiquei espantada com o seu currículo profissional. Artur Couto e Santos viveu "a febre da liberdade nos loucos anos depois do 25 de abril", onde teve um papel importante na imprensa nacional, junto de nomes como Mário-Henrique Leiria, Carlos Cruz, José Duarte, Mário Zambujal, Júlio Isidro, Raúl Solnado, entre outros... Foi uma época diferente, palco de muitas estrelas: Nicolau Breyner, Herman José, Carlos Paião, as Doce, Lena d'Água, António Variações, Dina, Marco Paulo, ... 
Recordar é Viver ! 


PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom



Sobre o Autor (alguns dados biográficos)

Artur Couto e Santos nasceu em Lisboa, no ano de 1953. Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa, no Hospital de Santa Maria. Desde 1985 é Médico de Família.
É casado, tem dois filhos e 3 netos (pelo menos).
Em 1972, com apenas 19 anos, publicou o seu primeiro texto no jornal República. Desde então, e paralelamente à Medicina, nunca parou de escrever.
De 1974 a 1977 trabalhou no Telejornal da RTP onde chegou a chefe de edição. Em 1981 colaborou no programa Pão Comanteiga da Rádio Comercial.
A partir daí fez várias colaborações e participações em programas na Rádio Comercial, na RTP e em jornais.
Só em 1996, mais ou menos, dedicou-se inteiramente à sua profissão de Médico de Família.

Sugestões

O autor tem dois blogues: de 1999 a 2006 «O Coiso» e de 2006 até aos nossos dias «O Pepino Transitório». São uma ótima ferramenta para o conhecer melhor como pessoa e como profissional.
As ilustrações do livro foram feitas pelo filho do autor, Pedro Couto e Santos, que também tem um espaço na internet «Macacos sem Galho».
Será, também, muito interessante a consulta do blogue «Meninos da Rádio» sobre os tempos áureos da Rádio dos anos 80 em Portugal, Pós-Revolução dos Cravos. Comecem por este post onde menciona o nosso autor Artur Couto e Santos.




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domingo, 16 de novembro de 2014

"Vai Aonde Te Leva O Coração", de Susanna Tamaro

Identificação do Livro


Autor: Susanna Tamaro
Título Original: Va' Dove Ti Porta Il Cuore
Edições: Editorial Presença
Nº de págs.: 118
Coleção: Grandes Narrativas
Ano de Edição: 2001
Classificação: Romance


Sinopse: Antes de mais, importa dizer que estamos perante um romance já célebre e celebrado pelos seus múltiplos êxitos, desde o facto de se ter convertido no livro mais vendido em Itália nas últimas décadas até às numerosas traduções no mundo inteiro. Livro-Sensação, Livro de descoberta ou de redescoberta, e por isso mesmo um livro não alheio à diversidade de reações. Através de um registo em que três gerações de mulheres dialogam, numa voz que reconta as suas vidas, Susanna Tamaro serve-se dessa estrutura narrativa para confrontar os diferentes tempos vividos e reavaliar este ciclo geracional. A leitura deste livro é enleante, quase hipnótica, comovente, o que justifica talvez o seu imenso sucesso internacional. De resto, a circulação do livro a esta escala surpreendente deve-se a um fenónemo de passagem de testemunho de leitor para leitor traduzido numa verdadeira consagração pública do romance de Susanna Tamaro que o tem mantido ininterruptamente no topo das preferências de leitura.


Opinião Pessoal

Ler histórias baseadas em factos reais, ou mesmo ler histórias reais, é forte, chocante e emocionante. As palavras levam-nos para esses cenários onde existia o medo, a guerra ou a alegria e o amor. Imaginar-nos nesses locais, a viver os acontecimentos na própria pele, é um exercício automático que qualquer leitor faz :)
Mas ler as "mentes das personagens", como se de um diário pessoal se tratasse, é terrível e poderoso! Por instantes, parece que o livro fala diretamente connosco e aponta a nossa personalidade, o nosso comportamento com determinadas pessoas, os nossos medos e anseios, os nossos defeitos, as nossas sombras, ... "Vai Aonde Te Leva O Coração" é assim... 


"Gnosei Seauton" [grego]
...Conhece-te a ti mesmo...



PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ❤ - Favorito

Sugestões

À venda na Wook, onde é possível ler um excerto do livro.







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domingo, 19 de outubro de 2014

"A Oeste do Pôr-do-Sol", de Dirk Bogarde

Identificação do Livro

Autor: Dirk Bogarde
Título Original: West of Sunset
Edições: Difel - Difusão Editorial
Nº de págs.: 317
Ano de Edição: 1987
Classificação: Romance

Sinopse: A Oeste de Sunset Boulevard só o Oceano Pacífico; a oeste do pôr-do-sol apenas a eternidade... Hugo Arlington, jovem escritor consagrado, foi de Inglaterra para os Estados Unidos a fim de fazer pesquisa para o seu último livro e morre tragicamente num acidente de automóvel. Suicídio premeditado?
Abandonada e na penúria, Alice, a viúva, e as duas filhas, vêem-se forçadas a trocar os esplendores de Beverly Hills por uma modesta existência na zona ocidental de Los Angeles. Rodeada de amigos auto-exilados, como ela, sem motivos para ficar nem lugar para onde ir, Alice procura aceitar um futuro sem Hugo.
No entanto, sob a aparente calma da sua nova vida de expatriada, existem verdades que lutam para atingir a superfície: a memória de Hugo Arlington não morre e o passado tem dívidas que é necessário saldar.
De escrita tensa e primorosa, simultaneamente duro, romântico e divertido, «A Oeste do Pôr-do-Sol» é o retrato de um grupo de personagens inesquecíveis, observadas com astúcia.


Opinião Pessoal

Num mundo com glamour , cocktails, festas, flirts, ... Há sempre algo que não está bem. A Felicidade não reside aí, e quanto mais tarde nos apercebermos disso, pior.
O mundo das artes do espetáculo, da literatura, da pintura, da escultura, da moda, é um mundo paralelo. Os artistas são pessoas muito peculiares, com identidade muito própria, alguns são bastante excêntricos nos seus modos de falar e vestir, outros são mais reservados e pacatos. Há também aqueles considerados "normais", que não fogem dos parâmetros ditos normais da sociedade, e convivem com os de lá e os de cá... Bom, há artistas para todos os gostos.
O que pretendo focar é a suscetibilidade de certas pessoas estarem mais expostas aos perigos/vícios/tentações.
É do conhecimento geral as várias loucuras cometidas por gente da alta socialite, figuras públicas, artistas de renome... Essas loucuras podem ir desde o consumo excessivo de álcool e medicamentos, o convívio com delinquentes e gangsters, o vício do jogo, drogas, até à pornografia.
É verdade que são pessoas como nós e errar é humano. Mas devido à exposição pública dos seus hábitos, do seu estilo e modo de vida, essas pessoas carregam em si a responsabilidade de transmitirem o seu exemplo aos outros!

Creio estar já a divagar...

Bom, Hugo Arlington, como se descobre na história, esconde um aspeto obscuro da sua personalidade, que a própria esposa desconhece....
A questão é precisamente a que mencionei anteriormente: «a suscetibilidade de certas pessoas estarem mais expostas aos perigos/vícios/tentações»... Talvez por serem de fraco caráter e deixarem-se influenciar facilmente, ou desde sempre tiveram um "pequeno génio mau" dentro de si que se vai revelando... A verdade é que, essas pessoas acabam por cometer atos graves e não têm essa consciência (ou têm personalidade dupla!). O resultado é terrível! Descobre-se coisas horríveis capazes de destruir famílias, relações de amizade e sentimentos. 

O autor do livro, Dirk Bogarde, viveu de perto esse mundo fantástico de artistas e conheceu perfeitamente os dilemas deles. Esta história é baseada na sua experiência. Tal como está escrito na contracapa do livro:
"Em todas as obras tem procurado manter uma atenta e desapaixonada observação dos comportamentos humanos, em especial no que respeita ao mundo do cinema, que tão de perto conhece."

No entanto, este livro não refere apenas o lado mau das pessoas, também apresenta fatos interessantes sobre algumas personagens, que fazem-nos refletir no porquê das coisas ou dão uma justificação tão simples para algo que nós não tínhamos e daí surpreendemo-nos por olharmos a mesma questão de uma outra maneira =)

Posto isto, resta-me apenas aconselhar a sua leitura.
É bom irmos conhecendo os bastidores, levantar a cortina, ...


PONTUAÇÃO DOS LIVROS

  • ✰✰✰✰ - Bom



Sugestões

Dirk Bogarde foi um notável actor britânico.
Encontra-se muita informação sobre a sua vida e obra literária (carreira que também abraçou a partir de 1977). Consultem a página da wikipedia.



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domingo, 9 de março de 2014

"Silêncio de Ferro", de Marcello Fois

Identificação do Livro

Autor: Marcello Fois
Título Original: Ferro Recente
Edições: Edições ASA
Nº de Págs.: 152
Coleção: Pequenos Prazeres
Ano de Edição: 2003
Classificação: Romance

Sinopse: A Sardenha, onde Marcello Fois nasceu, ficou marcada para sempre pela violência típica das velhas épocas contemporâneas da dominação romana.
Este romance, que se debruça sobre três assassinatos bárbaros e inexplicados, que a justiça tende a ligar a um longínquo caso de terrorismo, reflecte toda a dureza dessa terra obscura e martirizada. Para lá da superfície, ressoa, taciturna e secretamente, um mistério, um desses perigosos mistérios de uma Sardenha ancestral, silenciosa e cortante como o ferro.Um mistério que está destinado a provocar outras mortes, num cenário feroz de amor e ódio, numa terra agreste que só aos poucos se deixa conhecer.


“Silêncio de Ferro é um romance belíssimo, em que o horror e a tensão da narrativa constroem a estrutura coral de uma verdadeira tragédia, uma tragédia negra.”

Carlo Lucarelli





PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom











sábado, 15 de fevereiro de 2014

"Inês de Portugal", de João Aguiar


Identificação do Livro


Autor: João Aguiar
Edições: ASA
Nº. de págs.: 135
Colecção: Pequenos Prazeres da ASA 
Ano de edição: 1999
Classificação: Romance

Sinopse: Castelo de Santarém, num dia do ano de Cristo de 1359. Enquanto El-Rei D. Pedro I corre a caça pelos campos, os seus conselheiros Álvaro Pais e João Afonso Tello esperam com sombria ansiedade a chegada de dois prisioneiros, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho, dois dos "matadores" de Inês de Castro (o terceiro, Diogo Lopes Pacheco, logrou fugir e refugiou-se em França). A esses homens havia sido solenemente prometido perdão, mas o Rei, decidido a vingar a única mulher que amou, quebrou o juramento feito, e agora eles vêm, debaixo de ferros, a caminho de Santarém. É este o ponto de partida de Inês de Portugal. Mas ao longo das suas páginas é todas a história de Pedro e Inês que João Aguiar reconstrói, abordando pela primeira vez um tema histórico posterior à Nacionalidade e fazendo-o desde logo com um dos mitos maiores da nossa consciência de Nação.
O presente romance baseia-se no guião que o autor escreveu, em colaboração com o realizador, para o filme homónimo de José Carlos de Oliveira.




PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom




Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ



Sugestões






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domingo, 15 de dezembro de 2013

Quotes "A Luz em Agosto"













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"A Luz em Agosto", de William Faulkner


Identificação do Livro

Título Original: Light in August
Nº de págs.: 385
Colecção: Colecção Novis - Biblioteca Visão Nº 22
Ano de edição: 2000
Classificação: Romance

Sinopse: Galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1949, William Faulkner permanece como um dos mais autênticos romancistas norte-americanos do séc. XX. Em «A Luz em Agosto», a sua escrita poderosa e o seu génio narrativo fazem-nos entrar no mundo de contrastes dramáticos do Sul profundo dos EUA. Entre a claridade e a sombra se desenham contornos da história fatal de Joe Christmas, cujo enredo suscita reflexões sobre a culpa, a sexualidade, o racismo e a religião. Uma técnica romanesca apurada é usada pelo autor para abordar os temas e as verdades universais subjacentes em toda a sua obra.



Opinião Pessoal


Não é de fácil leitura. É uma narrativa poderosa, que abala os nossos alicerces ao constatarmos que existe tanta maldade no mundo...

Publicado em 1932, reporta-nos para uma América dos anos 30 minada pela desconfiança, pela ignorância e pelo racismo. Os efeitos da Guerra Civil travada entre 1861 e 1865 ainda se faziam sentir, havendo assim uma divisão entre as regiões do Norte (Califórnia, Connecticut, Delaware, Illinois, Indiana, Iowa, Kansas, Kentucky, Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan, Minnesota, Missouri, Nevada, Nova Hampshire, Nova Jérsei, Nova Iorque, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island,Vermont, Virgínia Ocidental e Wisconsin, mais os territórios de Colorado, Dakota, Nebraska, Nevada, Novo México, Utah e Washington) e as regiões do Sul (Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Flórida,Geórgia, Louisiana, Mississippi, Tennessee, Texas e Virgínia).
A mentalidade era muito diferente....
Existia nessa altura racismo e discriminação... Até se pensava que a raça negra era um castigo de deus devido ao mau comportamento dos brancos, e acreditava-se que esse castigo duraria um século...

O pano de fundo são pequenas cidades que parecem ilhas nas paisagens desérticas da América do Sul.
A personagem central, Joe Christmas, parece ter nascido sob o signo malfadado de Caim (personagem bíblica, presente no Livro do Génesis, que simboliza as pessoas mal intencionadas). Joe era mestiço e isso proporcionou-lhe ao longo da vida incompreensão e desrespeito da parte dos outros, até do orfanato onde viveu e da família adotiva que o acolheu. É uma pessoa perturbada, que não sabe onde pertence nem qual a sua função no mundo.
E depois há uma outra personagem, a Lena, uma rapariga grávida que não tem nada a ver com Joe, mas é com ela que a história começa e termina. É alguém que aparenta ser positiva e acreditar na providência divina ou na sorte, pois a vida vai-lhe correndo sem sobressaltos.

Ele é discriminado pela cor da pele.
Ela é ajudada por se encontrar em estado de graça.
Ele não foi desejado.
Ela deseja o seu filho.

Talvez se Lena fosse a mãe de Joe...
Ou, para quem acredita na reencarnação, talvez o filho de Lena seja a reencarnação de Joe...
Mais uma vez digo, é impressionante como apenas uma pessoa pode alterar para sempre o destino de outra!



Pontuação do Livro
  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ




Sugestões

Sobre o autor e o livro há imensa informação na internet. Pesquisem à vontade =)
Deixo-vos apenas com estas sugestões:





sábado, 9 de novembro de 2013

Quotes "A Morgadinha dos Canaviais"














⊱✿◕‿◕✿⊰









"A Morgadinha dos Canaviais", de Júlio Dinis



Identificação do Livro


Autor: Júlio Dinis

Edições: Círculo de Leitores
Nº. de págs.: 526
Colecção: Obras Completas de Júlio Dinis
Ano de edição: 1992
Classificação: Romance

Sinopse: Romance considerado por muitos críticos literários como o mais bem conseguido de Júlio Dinis, foi publicado em 1868. Na figura do protagonista, Henrique de Souselas, a obra ilustra uma das teses favoritas do autor: o efeito regenerador da vida rústica sobre um organismo moralmente deprimido pela vida urbana. Neste terceiro romance também está presente uma forte componente de crítica social, que visa o fanatismo religioso e o clericalismo hipócrita.




PONTUAÇÃO DO LIVRO

  • ❤ - Favorito


Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ


Sugestões





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