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quinta-feira, 28 de julho de 2016

"Dom Casmurro", de Machado de Assis



Identificação do Livro

Autor: Machado de Assis
Edições: Versão digital
Nº de Págs.: 105
Classificação: Romance



Opinião Pessoal

É a terceira obra que leio de Machado de Assis.
Gostei de "A Pianista"  e "O Alienista", mas realmente "Dom Casmurro" pertence a um nível mais elevado - é um Grande Clássico da Literatura Brasileira!


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Sugestões

Há muitas infos na internet. Basta procurar.




domingo, 8 de março de 2015

"A Honra Perdida de Katharina Blum", de Heinrich Böll

Identificação do Livro


Autor: Heinrich Böll
Título Original: Die verlorene Ehre der Katharina Blum
Edições: Abril/Controljornal
Nº. de págs.: 95
Colecção: Colecção Novis - Biblioteca Visão
Ano de edição: 2000
Classificação: Romance


Sinopse: Heinrich Böll foi um dos escritores alemães mais importantes do período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. A sua obra, orientada por uma perspectiva moral que se ergue contra a sociedade materialista, oscila entre a esperança e o absurdo da acção humana. Com "A Honra Perdida de Katharina Blum", o autor aborda o problema do terrorismo, do conservadorismo agressivo e da imprensa sensacionalista, que envolvem a protagonista numa teia de falsas acusações; arruinada a sua reputação, resta-lhe recuperar a honra perdida. Uma obra-prima controversa deste romancista que foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1972. 




Opinião Pessoal

Este romance foi escrito em 1974, e retrata essa mesma época dos anos 70 na Alemanha Ocidental.
Faz-se uma crítica mordaz à imprensa sensacionalista, aos repórteres e jornalistas sem escrúpulos que são capazes de distorcer totalmente a verdade, em nome da liberdade de imprensa, não respeitando a vida íntima e privada das pessoas comuns.
Critica-se as elites, aquelas pessoas que pertencem a uma classe invisível superior à própria sociedade, que não são julgados pelos seus actos e conseguem ilibar-se facilmente dispensando "uns dinheiros".
Critica-se a "má sorte" e a "onda de desgraças" que afetam as pessoas comuns e da classe média, devido à influência de gente sem valores que pretendem descrutinar em praça pública e destruir as suas vidas honradas e modestas...

Após isto, após ter perdido a sua honra, Katharina Blum, como tantas outras mulheres e homens que se sentiram injustiçados, faz o que acha correto para descansar a sua consciência.

Julgar estas pessoas, pelos seus actos, em estado de desespero, é muito difícil.
Porque, se nos colocarmos no seu lugar, compreendemos num instante os motivos que as levaram a agir de tal maneira.



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Sugestões

O autor foi Nobel da Literatura em 1972, como podem consultar aqui no site oficial «NobelPrize.org». Há um site dedicado à sua vida e obra aqui. Foi criada, em 1986, a Fundação Heinrich Böll, pelo Partido dos Verdes alemão, entrem aqui no site e vejam o plano de acção. Essa mesma fundação também tem uma filial no Brasil, como podem consultar nesta página do Facebook.
Na wikipedia    existem igualmente informações sobre o autor.

Em relação ao livro «A Honra Perdida de Katharina Blum», encontra-se à venda na Wook e para troca na Winkingbooks.

Em 1975, fez-se uma adaptação para o cinema, ver página IMDB - Internet Movie DataBase.




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Quotes "A Honra Perdida de Katharina Blum"













domingo, 15 de fevereiro de 2015

"Os Fidalgos da Casa Mourisca", de Júlio Dinis

Identificação do Livro 


Autor: Júlio Dinis

Edições: Figueirinhas
Nº. de págs.: 400
Ano de edição: 1969
Classificação: Romance


Sinopse: Publicado no ano da morte do autor, este romance foca o progresso da burguesia e a consequente decadência da nobreza. As personagens são, em geral, vagas, sem definição psicológica, servindo principalmente como elemento estrutural do conteúdo.
A sequência temporal é evidente e marcada pelas várias circunstâncias que vão constituindo a ação, com as personagens perfeitamente integradas, desempenhando as suas várias funções e dando-nos a conhecer os seus pensamentos.  




Opinião Pessoal



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Sugestões



Há muita informação na internet!
Consultem, por favor, o site Luso-Livros e a Infopedia, para começar.
Depois atentem à peça de teatro adaptada por Alice Ogando e realizada por Pedro Martins, em 1963. Podem vê-la aqui no Youtube de forma completa.
Só se conhece duas adaptações cinematográficas, a primeira em 1921 e a segunda em 1938.
Consultar a opinião no blogue «Tempo de Ler».

Podem ler a versão digital do livro aqui. 



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domingo, 16 de novembro de 2014

"Vai Aonde Te Leva O Coração", de Susanna Tamaro

Identificação do Livro


Autor: Susanna Tamaro
Título Original: Va' Dove Ti Porta Il Cuore
Edições: Editorial Presença
Nº de págs.: 118
Coleção: Grandes Narrativas
Ano de Edição: 2001
Classificação: Romance


Sinopse: Antes de mais, importa dizer que estamos perante um romance já célebre e celebrado pelos seus múltiplos êxitos, desde o facto de se ter convertido no livro mais vendido em Itália nas últimas décadas até às numerosas traduções no mundo inteiro. Livro-Sensação, Livro de descoberta ou de redescoberta, e por isso mesmo um livro não alheio à diversidade de reações. Através de um registo em que três gerações de mulheres dialogam, numa voz que reconta as suas vidas, Susanna Tamaro serve-se dessa estrutura narrativa para confrontar os diferentes tempos vividos e reavaliar este ciclo geracional. A leitura deste livro é enleante, quase hipnótica, comovente, o que justifica talvez o seu imenso sucesso internacional. De resto, a circulação do livro a esta escala surpreendente deve-se a um fenónemo de passagem de testemunho de leitor para leitor traduzido numa verdadeira consagração pública do romance de Susanna Tamaro que o tem mantido ininterruptamente no topo das preferências de leitura.


Opinião Pessoal

Ler histórias baseadas em factos reais, ou mesmo ler histórias reais, é forte, chocante e emocionante. As palavras levam-nos para esses cenários onde existia o medo, a guerra ou a alegria e o amor. Imaginar-nos nesses locais, a viver os acontecimentos na própria pele, é um exercício automático que qualquer leitor faz :)
Mas ler as "mentes das personagens", como se de um diário pessoal se tratasse, é terrível e poderoso! Por instantes, parece que o livro fala diretamente connosco e aponta a nossa personalidade, o nosso comportamento com determinadas pessoas, os nossos medos e anseios, os nossos defeitos, as nossas sombras, ... "Vai Aonde Te Leva O Coração" é assim... 


"Gnosei Seauton" [grego]
...Conhece-te a ti mesmo...



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Sugestões

À venda na Wook, onde é possível ler um excerto do livro.







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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Quotes "Nove Mil Dias e uma só Noite"






























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"Nove Mil Dias e uma só Noite", de Jessica Brockmole

Identificação do Livro


Autor: Jessica Brockmole
Título Original: Letters From Skye
Edições: Editorial Presença
Nº. de págs.: 256
Coleção: Grandes Narrativas
Ano de edição: 2014
Classificação: Romance

Sinopse: Março de 1912. A jovem poetisa Elspeth Dunn nunca saiu da remota ilha escocesa de Skye, onde vive, e é com grande surpresa que recebe a primeira carta de um admirador do outro lado do Atlântico. É o início de uma intensa troca de correspondência que culminará num grande amor. Subitamente, a Europa vê-se envolvida numa Guerra Mundial, e o curso normal das vidas é abruptamente interrompido. Junho de 1940. O Velho Continente vive mais uma vez o tormento de um conflito mundial e uma nova troca epistolar incendeia os corações de dois amantes, desta vez o de Margareth, filha de Elspeth, e o do jovem piloto da Royal Air Force por quem se apaixonou. Cheio de glamour e de pormenores de época, este romance faz a ponte entre as vidas de duas gerações - os seus sonhos, as suas paixões e esperanças -, e é um testemunho do poder do amor sobre as maiores adversidades.


Opinião Pessoal


A história é muito boa, acontece nos dois momentos mais marcantes da humanidade e só esse facto já vale muito. É um romance rotulado tipicamente de «feminino» ou «mais desejável ao público feminino».

A técnica de narração - dividir o relato em duas gerações, como que escrevendo duas histórias ao mesmo tempo, neste caso de Elspeth Dunn e de Margareth Dunn - não é uma novidade. O que faz com que seja uma boa técnica é a ligação que a autora faz. Quero com isto referir-me às decisões/escolhas/opções que as personagens da 1ª geração tomaram e que influenciaram as personagens da 2ª geração.

Tenho lido críticas a respeito dos diálogos... Estes realmente parecem-me muito atuais, com vocabulário e expressões usadas agora; mas talvez seja isso que torna esta história tão próxima! Até encontrei bastantes coincidências comigo, o que pode não acontecer com outras pessoas, como é óbvio.

Para terminar, aconselho a sua leitura. Pode parecer uma «história de meninas», mas não é. Acredito que "eles" também vão gostar porque de certeza irão rever-se em alguma personagem Happy/Smile


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Book Trailer





Sugestões


Leiam um excerto da obra aqui.

E já agora, aconselho também a lerem "O Outro Lado da Verdade", de Marcos Bessa. Apesar de ser um autor português, num contexto histórico muito diferente, a técnica narrativa é semelhante, e o fim inesperado Happy/Smile.



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domingo, 9 de março de 2014

"Silêncio de Ferro", de Marcello Fois

Identificação do Livro

Autor: Marcello Fois
Título Original: Ferro Recente
Edições: Edições ASA
Nº de Págs.: 152
Coleção: Pequenos Prazeres
Ano de Edição: 2003
Classificação: Romance

Sinopse: A Sardenha, onde Marcello Fois nasceu, ficou marcada para sempre pela violência típica das velhas épocas contemporâneas da dominação romana.
Este romance, que se debruça sobre três assassinatos bárbaros e inexplicados, que a justiça tende a ligar a um longínquo caso de terrorismo, reflecte toda a dureza dessa terra obscura e martirizada. Para lá da superfície, ressoa, taciturna e secretamente, um mistério, um desses perigosos mistérios de uma Sardenha ancestral, silenciosa e cortante como o ferro.Um mistério que está destinado a provocar outras mortes, num cenário feroz de amor e ódio, numa terra agreste que só aos poucos se deixa conhecer.


“Silêncio de Ferro é um romance belíssimo, em que o horror e a tensão da narrativa constroem a estrutura coral de uma verdadeira tragédia, uma tragédia negra.”

Carlo Lucarelli





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  • ✰✰✰✰✰ - Muito Bom











sábado, 9 de novembro de 2013

Quotes "A Morgadinha dos Canaviais"














⊱✿◕‿◕✿⊰









"A Morgadinha dos Canaviais", de Júlio Dinis



Identificação do Livro


Autor: Júlio Dinis

Edições: Círculo de Leitores
Nº. de págs.: 526
Colecção: Obras Completas de Júlio Dinis
Ano de edição: 1992
Classificação: Romance

Sinopse: Romance considerado por muitos críticos literários como o mais bem conseguido de Júlio Dinis, foi publicado em 1868. Na figura do protagonista, Henrique de Souselas, a obra ilustra uma das teses favoritas do autor: o efeito regenerador da vida rústica sobre um organismo moralmente deprimido pela vida urbana. Neste terceiro romance também está presente uma forte componente de crítica social, que visa o fanatismo religioso e o clericalismo hipócrita.




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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Quotes "As Pupilas do Senhor Reitor"




















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"As Pupilas do Senhor Reitor", de Júlio Dinis


Identificação do Livro

Autor: Júlio Dinis
Edições: Civilização Editora
Nº de págs.: 280
Coleção: Obras Completas de Júlio Dinis
Ano de edição: 1970
Classificação: Romance

Sinopse: As Pupilas do Senhor Reitor, um romance de Júlio Dinis publicado em 1866, conta a história do regresso de um jovem inconsciente à vila onde nascera. Uma vez aí chegado, apaixona-se pela noiva do irmão, o que desencadeia uma série de peripécias. As aventuras amorosas de Daniel chocam com a vida de duas órfãs, Clara e Margarida, entregues aos cuidados do reitor da aldeia. Em suma, As Pupilas do Senhor Reitor traduz a vida rural portuguesa da época.

Um livro escrito com a simplicidade de estilo e o realismo de representação, que caracterizam a obra de Júlio Dinis, e recheado de situações imprevistas e de grande intensidade dramática.




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terça-feira, 10 de setembro de 2013

"Kikia Matcho" - Filinto de Barros

I. Identificação do Livro


Autor: Filinto Barros
Edições: Editorial Caminho
Nº. de págs.: 156
Colecção: Autores Lusófonos
Ano de edição: 2010
Classificação: Ficção

Sinopse: Filinto de Barros nasceu em Bissau a 28 de Dezembro de 1942. Fez estudos secundários no Colégio Nuno Álvares, em Tomar, e estudos superiores na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa. Depois da independência da Guiné-Bissau foi embaixador em Lisboa, entre 1978 e 1981. Na Guiné-Bissau exerceu vários cargos políticos, entre os quais ministro da Informação e Cultura (1981-1983), ministro dos Recursos Naturais e Indústria (1984-1992) e ministro das Finanças (1992-1994). Kikia Matcho, sua primeira obra literária, é, nas palavras do autor, um pequeno exercício de ficção. Nem história, nem sociologia, nem etnologia, nem política, tão-somente uma abordagem que se pretende dinâmica e existencial do processo de síntese sociocultural de um Povo.


II. Opinião Pessoal

Este livro tem muito que se lhe diga!
Aborda temáticas importantíssimas que ainda não estão, nem irão ficar resolvidas...
As citações aqui transcritas espelham bem os problemas de África, da Humanidade...



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III. Trechos

"Duas Culturas em Confronto. Dum lado, os cristons com o seu conceito de honra machista, de fidelidade conjugal, como herança dos padres católicos. Noutro extremo, a comunidade islâmica com a família alargada, a prática da poligamia, onde hipocritamente se finge não saber se as mulheres têm outras companhias. A necessidade de exibir riqueza através do número de mulheres e obter trabalho braçal mais barato obriga a coabitar com a infidelidade conjugal, sobretudo nos centros urbanos."

"E o que dizer desta mistura rocambolesca do padre e do porco sobre o qual o caixão deve passar? Benaf perdeu a mística do Continente. Assim não poderia compreender o híbrido que resultou que resultou da civilização cristã, tão cara aos europeus! O paganismo e o cristianismo juntaram-se não só para se tolerarem mas para se complementarem! É assim a África, o continente da vida, o continente que em vez de repudiar as influências externas acaba por as assimilar, transformá-las e fazer delas traços culturais à sua maneira. Era isto que Benaf não compreendia e que jamais virá a entender!"

"Agora Papai compreendia o motivo que levou 'N Dingui à ruína humana. Ele, Papai, refugiou-se no lamaçal da Tia Burim Mdujo, para fugir do desencanto duma revolução que teimava em afastar-se do caminho traçado, para não ver o que estava sendo visto pelos outros, enfim, para manter intacto o seu eldorado mundo de Amílcar Cabral. Afinal, 'N Dingui fugia da sua própria consciência, fugia da máquina que, tendo-o transformado num monstro, o havia repudiado de seguida."


IV. Mais infos

sábado, 13 de julho de 2013

"A Relíquia" de Eça de Queirós


Identificação do Livro 



Edições: Porto Editora
Nº. de págs.: 288
Ano de edição: 2012
Classificação: Romance

Sinopse: Romance saído em folhetins na Gazeta de Notícias, cuja epígrafe se tornou célebre - "Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia" - por sintetizar a aliança entre realismo e imaginação, naturalismo e fantástico, patente na obra. Da intriga central - a viagem de Teodorico à Terra Santa, de onde traz, não a relíquia que prometera à tia beata, mas sim, por lapso, a camisa de dormir de uma amante - sobressai o sonho ou a viagem no tempo do protagonista, que, acompanhado pelo seu erudito amigo, Dr. Topsius, assiste à pregação, julgamento e morte de Jesus. A obra, que exalta a figura humana de Cristo, como paradigma de amor e de bondade, foi considerada herética pelos setores mais conservadores, por questionar a divindade de Cristo.


Opinião Pessoal

Primeiramente confesso que perco a paciência ao ler e-books e canso-me mais. Prefiro, sem sombra de dúvidas, pegar num livro e ler. Sabe tão bem!

Quanto à "Relíquia" de Eça, que pertence ao mesmo estilo de "O Mandarim" - livro do mesmo autor e comentado neste blogue - gostei e recomendo a sua leitura.
Eça é um autor de finais do séc. XIX e tem presente nas suas obras fortes críticas sociais e extensas descrições das cenas e das personagens. Nunca é demais relembrar isto, até para precaver futuros leitores menos pacientes e fãs de acção da existência de cenas "mortas", isto é, paradas, que correspondem aos momentos descritivos.

Focando no tema principal - a hipocrisia - é impressionante ver até onde as pessoas são capazes para atingirem os seus fins. Mas não vale a pena eu tecer aqui longos argumentos sobre justiça e rectidão porque, na própria história, isso é feito no devido lugar. Assim, remeto para lá as minhas considerações.



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Excertos

"(...) Sabe o que lhe vale, seu bife? É estarmos aqui ao pé do túmulo do Senhor, e eu não querer dar escândalos por causa da minha tia. Mas se estivéssemos em Lisboa, fora de portas, num sítio que eu cá sei, comia-lhe os fígados! Nem você sabe do que se livrou. Vá com esta, comia-lhe os fígados!
E muito digno, coxeando, voltei ao quarto, a fazer pacientes fricções de arnica. Assim eu passei a minha primeira noite em Sião".


"(...) E de entre a nuvem de gaze surgiu um carão cor de gesso, escaveirado e narigudo, com um olho vesgo, e dentes podres que negrejavam no langor néscio do sorriso... Potte pulou do divã, injuriando Fatmé: ela gritava por Alá, batendo nos seios, que soavam molemente como odres mal cheios".



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quinta-feira, 21 de março de 2013

Quotes "O Livro do Chá"


















"O Livro do Chá" - Kakuzo Okakura


Identificação do Livro


Nº. de págs.: 96
Ano de edição: 2007
Classificação: Ensaio

Sinopse: A Filosofia do Chá não é mero esteticismo na acepção vulgar do termo, porque exprime, conjuntamente com a ética e a religião, todo o nosso ponto de vista a respeito do homem e da natureza. É higiene, porque impõe limpeza; é economia, porque revela o conforto que existe na simplicidade, mais do que no que é elaborado e caro; é geometria moral na medida em que define o nosso sentido de proporção face ao universo. Representa o verdadeiro espírito da democracia oriental ao fazer de todos os seus partidários aristocratas no gosto.



Opinião Pessoal


Não tenho por hábito consumir literatura de autores japoneses. Contudo, este livro encontrava-se na Wooklet da Wook e decidi escolher uma pequena lista de livros para encomendar onde este se incluia.
Apesar do seu tom ser um tanto filosófico - a filosofia do chá, a filosofia da arte de viver - não me decepcionou e obrigou-me a fazer uma certa ginástica mental (o que é sempre bom!) para compreender os ideais apresentados. Lê-se numa manhã ou numa tarde, o livro é pequeno; mas para quem se deixa entrar no "vazio" do livro ou, para quem deixa o livro entrar em si - Taoísmo e Zenismo - num espaço de 2 horas consegue ler tudo.
O autor refere ainda as diferenças entre o Ocidente e o Oriente, e os problemas daí derivados, em várias áreas como a pintura, a arquitectura, o estilo de vida e até a forma como se valorizam as flores. Os contrastes são imensos, no entanto, já na sua época (1906) era criticável a cultura das massas - a massificação, plastificação do pensamento individual em prol da sociedade. Não esquecer que nos inícios do séc. XX surgiram na Europa e América várias correntes artísticas contra esse tipo de pensamento imposto, são exemplos o cubismo e o expressionismo.
Pondo essas questões de lado, o foco incide sobre o chá propriamente dito e todo um modo de vida simples e pacífico personalizado, isto é, com um toque pessoal, onde cada um podia deixar uma marca sua numa flor escolhida para a ocasião ou numa pintura... Okakura explicita bastante bem a finalidade, o objectivo do chá e a dinâmica por trás dele.
Como referi no início, não sou adepta de autores orientais, mas este cativou-me. Recomendo a sua leitura.

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  • Na wook;
  • No Youtube - Versão áudio do capítulo 1 "A chávena da humanidade" [EN]




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